Gestão de pessoas: desafio para os prefeitos
Jornal do Brasil, 20/12/2013.
Cristina Goldschmidt*
Estratégica para os ingleses, em vez de meramente “política”, a troca de comando no BC também nos ensina como a alternância de poder na esfera pública pode ser conduzida com responsabilidade. Na tradição brasileira, ao contrário, tudo costuma recomeçar do zero cada vez que um novo grupo chega ao governo, em detrimento de iniciativas em curso, ainda que eficazes. O preço desse péssimo hábito tem sido altíssimo.
Pessoas são um fator central na gestão do Estado. A exemplo do que ocorre nas corporações, também na administração pública o objetivo traçado, as metas e estratégias devem determinar a permanência ou a substituição dos ocupantes de postos-chave. Afinal, nos campos estatal e empresarial, os desafios gerenciais não são muito diferentes.
Em resumo: qual o interesse comum que a todos deve nortear – líder eleito, auxiliares, servidores – para que resultados sustentáveis se concretizem? A resposta depende da visão do líder a respeito do uso das ferramentas adequadas. Entre elas estão tecnologias, processos de trabalho, repertórios de informações e comportamentos – uma ferramenta recém-descoberta, pois faz pouco tempo que o mundo acordou para a compreensão de que gente é um fator de produção vital.
A performance de uma empresa e de uma cidade pode ser fortemente impactada pela negligência com valores como satisfação, qualidade de vida, saúde e desenvolvimento. São fatores de risco que, no seu gerenciamento, exigem visão dos líderes a respeito de comportamentos que gerem saldos positivos.
A passagem de bastão nos municípios, em 1° de janeiro, pôs na ordem do dia a importância de boas práticas de gestão de pessoas na administração estatal. O oposto já conhecemos: empreguismo, ineficiência, mau trato da coisa pública, como se ela fosse de ninguém.
O exemplo do Banco da Inglaterra pode, portanto, ser rico em aprendizado para a melhora da governança nos municípios. Para os novos prefeitos, neste momento de escolha de pessoas, ter compromisso com resultados sustentáveis pode ser um bom começo frente ao desafio de atender às expectativas de seus públicos de interesse.
* Cristina Goldschmidt é consultora em desenvolvimento de capital humano, gestão estratégica e carreira profissional. - cristina@consultingcg.com.br
Tags: artigo, cristina goldschmidt, jb, prefeito, sociedade aberta
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