Para quem sabe aproveitar oportunidades, a rotina a cumprir pode ficar mais interessante e produtiva. O complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste, oferece diversos cursosprofissionalizantes para os detentos, com o objetivo de prepará-los para o retorno à vida em sociedade e também dar uma profissão que possa mudar a vida deles.
Foi o que aconteceu com a Cândida Regina de Jesus, de 54 anos. Ela só quer esquecer o passado e seguir a vida com um trabalho digno. Depois de fazer o curso de padeiro em uma das penitenciárias do complexo, ela agora virou funcionária da padaria. Os pães fabricados são servidos no café da manhã e no lanche das detentas. Tudo no capricho.
- A gente faz pão francês, pão de coco, pão de milho, rosquinha… sou rápida na mesa. Sou “padeira” profissional. Tô querendo conseguir alguma coisa lá na rua. Aí gente: tô querendo trabalhar – ressalta Cândida.
Além do curso de padeiro, elas também põem a mão na massa para aprender a fazer pizza. Avental, luvas, touca, chapéu… para elas isso é mais do que um uniforme, é uma profissão. E é assim que elas pretendem levar a vida do lado de fora. Com o trabalho, os detentos ganham ânimo, enquanto cumprem a pena. Os cursos são fonte de conhecimento e distração, mas principalmente educação e disciplina . O professor de informática Ozias Ferreira afirma que mais do que dar aula, ele aqui ganha a missão de mudar o futuro desses presidiários e, ensinando o que sabe, tirá-los da vida do crime.
- Eu hoje tenho experiências de pessoas que estão lá fora que fazem contato comigo, me ligam. Me agradecem, dizem que estão trabalhando, não têm mais nenhum envolvimento e que estão seguindo outro rumo – relata o professor.
A sala de informática também divide espaço com uma biblioteca, com livros de todos os tipos. A Secretaria de Administração Penitenciária recebeu doação de 18 mil livros por intermédio da Secretaria de Cultura. Os exemplares foram distribuídos para todas as unidades do complexo penitenciário.
As aulas de salão de beleza fazem sucesso entre as mulheres do presídio. Elas têm aulas com cabeleireiros e esteticistas profissionais. Aprendem a fazer cabelo, unha depilação, maquiagem, pacote completo. Cada especialidade no salão demanda cerca de seis meses de curso e todas alunas ganham, um certificado no final.
Os cursos e as aulas são uma forma de valorizar os internos que buscam a ressocialização e aproveitam as oportunidades oferecidas dentro do sistema penitenciário. Isso representa o início de uma nova vida para muitas dessas pessoas. Uma profissão, é o que eles desejam para um futuro de oportunidades.
Fonte: Correio do Brasil
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