segunda-feira, 24 de novembro de 2014

"Greenwald: ‘Pressão de Washington dificulta discussão sobre drogas’ !"

O jornalista norte-americano também é autor de um estudo sobre o impacto positivo da descriminalização do uso de drogas em Portugal
O jornalista norte-americano também é autor de um estudo sobre o impacto positivo da descriminalização do uso de drogas em Portugal

Os EUA são os principais responsáveis pela criminalização das drogas no continente. A pressão política exercida por Washington também dificulta iniciativas de legalização das drogas em outros países do mundo, disse o advogado e jornalista norte-americano Glenn Greenwald. Ele aos jornalistas após participar, nesta segunda-feira, de um seminário sobre a legalização das drogas no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).
Greenwald, que vive no Rio, ficou mundialmente conhecido por divulgar a informação, vazada pelo ex-agente de inteligência norte-americano Edward Snowden, de que os Estados Unidos espionavam a comunicação de empresas e chefes de Estado de vários países.
O jornalista norte-americano também é autor de um estudo sobre o impacto positivo da descriminalização do uso de drogas em Portugal. “A guerra contra as drogas é muito importante para os Estados Unidos. Eles colocam muita pressão sobre os países que consideram alternativas ao sistema de criminalização (do uso das drogas). Foi por isso que, quando Portugal considerou alternativas à criminalização, os Estados Unidos disseram que eles não podiam considerar a opção da legalização, porque havia tratados internacionais”, disse Greenwald.
A maioria dos países-membros das Nações Unidas é signatária dos tratados internacionais de combate às drogas, que estabelecem que esses Estados criminalizem a produção e o comércio de substâncias como a maconha e a cocaína.  “Agora há países que estão percebendo que o sistema de criminalização não funcionou bem e que a descriminalização [como feita em Portugal] não é suficiente”, ressaltou Greenwald.
Um desses países é o Uruguai, que há um ano decidiu legalizar a produção, o comércio e o consumo da maconha, como forma de reduzir a violência, diminuir o número de presos e enfraquecer financeiramen
te os traficantes de drogas, disse a médica uruguaia Raquel Peyraube.
Raquel que também participou do seminário no Tribunal de Justiça, é assessora do Instituto de Regulação e Controle da Cannabis (Ircca), órgão do governo uruguaio responsável pela implantação da política de regulação do mercado de maconha no país. Segundo a médica, o Uruguai recebeu pressão de outros países para que não levasse a política adiante, mas manteve a decisão.
- A imprensa mundial está lá no Uruguai e diz: ‘Pensamos que chegaríamos aqui e estaria todo mundo drogado’. Essa é a fantasia da proibição, mas não aconteceu nada disso. Nada mudou. As pessoas continuam na mesma atitude – afirmou Raquel.
Segundo ela, cerca de 2 mil pessoas se registraram como produtoras para consumo próprio e há cerca de 30 clubes de cannabis sativa (maconha) cadastrados no país.
A médica informou que a venda nas farmácias só deve começar em março do ano que vem, já que atualmente está sendo feita uma licitação para escolher os produtores comerciais que poderão trabalhar no país. Mais de 20 empresas uruguaias e estrangeiras se apresentaram para concorrer na licitação.
O seminário Drogas: Legalização+Controle foi promovido pela organização não governamental Leap Brasil, que reúne policiais e juízes que defendem a legalização das drogas no país.

Fonte: Correio do Brasil

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